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Drysdale critica Rener e convoca amantes do Jiu-Jitsu: 'Obrigação de desacreditar a Gracie Online'

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Drysdale critica Rener e convoca amantes do Jiu-Jitsu: 'Obrigação de desacreditar a Gracie Online'



A polêmica envolvendo a Gracie Online University vai ganhando novos capítulos. Assim como a grande maioria dos cascas-grossa da arte-suave, o campeão mundial Robert Drysdale engrossa o coro contra a instituição criada pelos irmãos Rener e Ryron Gracie, filhos de Rorion Gracie e netos do grande mestre Hélio Gracie, maior nome da história do esporte. Após Rener ironicamente agradecer pelo "marketing gratuito" que as críticas têm proporcionado à Gracie Online University, Robert Drysdale falou, em comunicado enviado à TATAME, sobre o caso, e desabafou.

Confira abaixo:

"A primeira academia de Jiu- Jitsu em que coloquei os pés para treinar, possuía um retrato na parede de uma das figuras mais influentes no desenvolvimento do Jiu-Jitsu no Brasil usando uma faixa azul. Hélio Gracie protestava o que ele considerava a graduação fácil e o declínio nos padrões do Jiu-Jitsu. A foto pendurada ali, era tanto para lembrar do esforço e "disciplina e motivação" requeridos para seguir esta jornada como para lembrar dos altos padrões dos seus praticantes.

Eu nunca tive a oportunidade de conhecer o Hélio. E embora não acredite em heróis ou santos, acredito ser justo afirmar que era um homem duro e que se via como um embaixador e guardião da arte para a qual dedicou sua vida. O Jiu-Jitsu mudou dramaticamente de lá para cá. Deixando de lado os avanços técnicos, talvez a maior mudança pela qual ele tenha passado seja a super-comercialização, beirando a banalização, do que acima de tudo deveria servir como um mecanismo educacional fundado na dureza, compromisso, disciplina e qualidade técnica. Estas são lições que enriquecem a jornada e fazem do Jiu-Jitsu uma ferramenta para a vida. A questão é, podem estas lições serem aprendidas fora do tatame, deitado na cama com um laptop? De acordo com Rener e seu irmão Ryron, a resposta é: sim, se pode.

Os seguidores da Universidade Gracie nunca aprenderão estas duras lições. Tudo que é requerido deles é que memorizem algumas posições, filmem e enviem para aprovação. Isto é, assumindo que um perito esteja "aprovando" as posições na academia Gracie. Aprender algo que remotamente se pareça com Jiu-Jitsu é uma questão completamente distinta. Para nós que conquistamos nossas faixas da maneira difícil, o Jiu-Jitsu é acima de tudo, sobre falhas, derrotas e frustrações, seguidos pelo fortalecimento de caráter necessário para superar estes desafios e retornar mais forte no dia seguinte. Este fortalecimento de atitude é uma lição de importância muito mais significante do que o próprio valor técnico do Jiu-Jitsu como arte marcial. Eles são a essência do Jiu-Jitsu como professor da vida para se superar dificuldades.

Isto não quer dizer que não se possa aprender nada online. Ideias podem ser compartilhadas, perspectivas criadas e sugestões recebidas que podem adicionar a uma dada caixa de ferramentas sendo desenvolvida dentro da academia, primordialmente pela dura lição de ser repetidamente derrotado nos tatames. É, afinal de contas, dentro da academia onde o verdadeiro esforço se dá, como fez Hélio, "através de acurada observação, muito treino e usando de tentativas e erros para buscar a perfeição".

O problema reside não na instrução em si, embora seja difícil para um iniciante verificar sua qualidade, mas na falta de um processo seletivo. Sob este sistema, qualquer um com tempo e dinheiro suficientes pode se tornar um "especialista". Imaginem se o mesmo padrão fosse exigido em outras profissões, onde um vídeo fosse enviado para um professor, a quem o sujeito nunca conheceu, para aprovação sem nunca haver adquirido qualquer conhecimento prático. Pense um médico que conduziu todo seu aprendizado online e não possui experiência prática alguma. Este médico deveria ter permissão de exercer a prática médica e operar? Se não, não deveria o Jiu-Jitsu seguir um padrão similar? Mesmo o campo da medicina sendo de maior relevância, nós não deveríamos banalizar a graduação e promoção de uma arte como o Jiu-Jitsu.

Outra questão que se faz presente, é a natureza pessoal do Jiu-Jitsu. Talvez sua qualidade mais cativante seja sua adaptabilidade a individualidade de talento, habilidade e limitações, ambas, mentais e físicas. Isto se perde quando uma aproximação de "forminha" está sendo ensinada. Com tempo e experiência o suficientes no tatame, alunos devem desenvolver um estilo que se encaixe em suas habilidades e características preexistentes. Ter um sistema online como único professor, sem conhecimento prático e tutela de um especialista, é aleijar e limitar a potencial singularidade do seu Jiu-Jitsu. Um sistema online só pode servir como guia, ele não pode ensinar estas inestimáveis lições de criatividade. Para piorar tudo, Rener conta vantagem sobre o aumento de vendas em seu site, que se seguiu ao bombardeio de críticas que ele recebeu da própria família e de outros verdadeiros praticantes da arte. Não se enganem, Rener tem orgulho de graduar alunos pela internet. A isto, só posso responder que não devemos subestimar a falta de pensamento crítico por pessoas que possuem um imenso apetite por recompensas imediatas sem esforço algum. Para clarificar tudo, ninguém aqui esta discutindo a lucrabilidade de se vender, independente da indústria que se siga. Mas não é isto que está em questionamento. O que se questiona é o futuro da arte e seus padrões.

É também instrutivo, e certamente não uma coincidência, que os netos do falecido Hélio Gracie esperaram sua morte para lançar uma campanha global de "prostituição" de seu legado e de sua família. Um legado construído a suor, sangue e sacrifício. Algo que ninguém nunca poderá entender atrás do conforto de um computador. Eles insultam não apenas a memória de seu avô, mas também o sacrifício e dedicação de centenas de milhares de praticantes ao redor do mundo que entendem perfeitamente bem o esforço necessário para se conquistar uma mera faixa azul. Estes praticantes, que podem dizer com orgulho que vivem o 'estilo de vida do Jiu-Jitsu', e que são os verdadeiros herdeiros de um legado, e que são todos responsáveis por guardar os padrões da arte suave, possuem mais do que o direito de criticar graduações on-line. Eles têm uma obrigação de desacreditar a Universidade Gracie e sua ridicularização do Jiu-Jitsu como arte marcial. Como praticantes todos devemos carregar algum peso em se tratando de manter e elevar estes padrões e continuar a fazer a caminhada para a faixa preta cada vez mais árdua. Hélio concordaria conosco."


http://www.tatame.com.br/tatame/jiu-jitsu/drysdale-critica-rener-e-convoca-amantes-do-jiu-jitsu-obrigacao-de-desacreditar-a-universidade-gracie


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